Postagens

I will in me hoop

No Donut Rolante, a gerente decidiu não ir (?). A pessoa que então seria substituida por mim, caso eu fosse contratado, foi quem me entrevistou. Uma polonesa de uns 40 anos de idade e um inglês muito básico. Potencialmente uma das entrevistas mais estranhas que já presenciei. Ela, de dentro do quiosque,  (enquanto eu estava na área onde os clientes compram os donuts e uma fila se formava atrás de mim) pegou uma prancheta e começou a fazer perguntas como: Quanto tempo você Dublin? O que eu respondi com um confiante: 3 meses! Ela então fez uma careta como se não fizesse nenhum sentido que eu estivesse tentando conseguir um emprego lá.  - Desculpa, deixa eu esclarecer. Eu cheguei aqui 3 meses atrás, mas pretendo ficar por 1 ano.  - Ok, você faz massa do donut, coloca pra fritar, mas tem que fazer café e receber dinheiro também.  - Ótimo, acho que eu consigo fazer isso.  - Ok, a gente telefona.  - Ah sim, acabou a entrevista? Posso perguntar alguma...

Terraço do Canal Real

Imagem
Pegamos um táxi e fomos pra nossa nova casa. Felizmente, tínhamos as chaves já que nos mudaríamos no outro dia. A casa, obviamente, não estava limpa ainda ou organizada. Chegamos, colocamos a roupa de cama que tinha sido lavada recentemente e estavam ainda úmidas nos colchões e fomos dormir. Apesar de tudo, sentimos uma grande liberdade em ter deixado pra trás a extorção e o mal estar que foi a outra casa. O aquecedor ligava só quando era meia noite. Até lá, estávamos confinados às camas e edredons. Essa noite fria, de reflexão sobre o nosso confronto com a dona da outra casa e sérias dúvidas sobre termos feito a coisa certa em vir pra Irlanda foi também comemoração. Pela primeira vez alugávamos uma casa sem nossos pais, em outro país, com negociação toda feita em inglês. Estávamos já há um mês na Irlanda e o encanto inicial começava a dar lugar a questões muito sérias:  - Quando iríamos conseguir emprego; - Até quando o dinheiro que tínhamos duraria; - Iríamos ter con...

Kicked out

Imagem
A nossa procura por um lugar para morar se provou extremamente frustrante. Não sabíamos ainda se ficaríamos até Dezembro de 2014 e todas as pessoas alugando as casas exigiam, ao menos, um contrato anual. Além disso, a comunidade brasileira internacional, ao menos a daqui da Irlanda, é composta de pessoas ignorantes em relação à representatividade que têm, e muito pouco cautelosa no impacto que as ações deles vão ter.  Ora, se um Irlandês conheceu três brasileiros e os três deram calote, nós sabemos que não é uma quantia razoável num universo de 200 milhões de brasileiros, mas pra ele representa cem porcento dos brasileiros com quem ele teve contato. Ignorância deles? Com certeza! Mas você não pode esperar que as pessoas sejam educadas a vida toda com uma imagem de um povo que mora do outro lado do mundo, reforçado por experiência pessoal em 3 casos, que arrisque novamente sem pensar duas vezes. Resultado: muitos anúncios de aluguel diziam que não alugariam para brasileiros...

Chegada

Imagem
Éramos três: eu, Lauro e Lucas. Após a despedida de Brasília, parada em São Paulo e Amsterdã, chegamos em Dublin. Em pleno inverno irlandês, no norte da parte fria do mundo, esperávamos chegar e ter hipotermia em segundos. Mas, surpreendentemente, a temperatura de 5 graus em nossa chegada não veio com uma sensação térmica tão baixa nos primeiros dias. Passamos pela imigração sem muitos problemas (o que eu aprenderia em outras viagens que foi muita sorte ao se passar pelo aeroporto de Dublin). Fomos, depois de 24 horas viajando, ao banheiro, revezávamos quem ficava com as malas e logo a segurança do aeroporto informou que deveríamos sair da área de desembarque assim que possível e usar os banheiros do lado de fora. A paranóia nos aeroportos europeus com terrorismo e malas que mudam de pessoas é surpreendente.  Comemos bagels (5 euros cada, começou aqui o medo de não ter dinheiro bem rápido) e a dificuldade máxima dos brasileiros em Dublin: não tem suco a não ser os "Kapo"...